Senadora alerta contra tentativas de suprimir Lei Maria da Penha
“A lei Maria da Penha surgiu no Brasil graças à pressão da sociedade. E muitos tentam acabar com ela a toda hora. Se a gente descuida, eles tentam derruba-la. A lei prevê punição à atos de violência contra a mulher”. O alerta foi feita nesta sexta-feira, em Cuiabá, pela senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), ao fazer a abertura do IV Encontro Nacional de Estudo Dirigido para as Mulheres (ENEDIM), no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (antiga Escola Técnica).
Com uma platéia lotada de jovens alunos interessados e atentos em ouvir e discutir sobre a participação da mulher não somente nos espaços políticos, mas na vida, Serys abordoou a necessidade de reforçar junto à sociedade a participação efetiva da mulher nos espaços que vem sendo conquistados com muito esforço e luta. Confiante, Serys disse esperar que daqui há pouco, a Lei Maria da Penha seja inócua, que não precisará mais existir, porque o respeito à mulher será garantido pela própria sociedade.
Serys lembrou aos alunos que 2010 é considerado pela OEA (Organização dos Estados Americanos) o ano da Mulher das Américas na política. Esse tema foi instituído graças a um requerimento da senadora Serys à essa importante organização, encaminhado em 2007.
“Esse também é o ano das mulheres na política brasileira já que, pela primeira vez na história, teremos, possivelmente, mais de uma mulher disputando a Presidência da República”, afirmou a senadora.
Os espaços, no entanto, ainda são pouco ocupados. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que, de cada cinco assentos nos parlamentos do mundo, apenas um pertence a uma mulher. O ideal é que se atinja o equilíbrio. Em alguns lugares isso já acontece. Suécia e Noruega, por exemplo, as mulheres participam com 40% das cadeiras do Legislativo e 50% dos Executivos. Ou seja, metade dos ministros é do sexo feminino.
No Brasil, a realidade é outra. Dos 513 parlamentares da Câmara dos Deputados, 45 são mulheres (8,77%). Nenhuma delas, mesmo em mandatos anteriores, jamais ocupou cargo titular na Mesa Diretora. No Senado, não é muito diferente. Somos 81 senadores e apenas 11 mulheres (13,58%). No entanto, conseguimos avanços. Na mesa diretora atual, dos 11 cargos disponíveis, o segmento feminino ocupa dois deles. Mas ainda é pouco.
“Há tempos nós mulheres lutamos por isso, por uma posição na política brasileira. Este ano, as eleições estão aí. A mulher na política tem sido o tema principal, já que teremos, pela primeira vez, várias candidatas potenciais do sexo feminino concorrendo à vaga de Presidente da República. É a chance de fazermos a diferença. É uma conquista! As mulheres estão chegando”, aposta Serys.
O IV Encontro Nacional de Estudo Dirigido para as Mulheres (ENEDIM) foi promovido pelos professores do Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso) com o objetivo de discutir o papel social da mulher e as relações entre o gênero e as tecnologias. Histórias de vida e pesquisas acadêmicas sobre o assunto também foram divulgadas e debatidas no encontro.
“Se queremos construir uma sociedade nova, de direitos iguais para homens e mulheeres, precisamos parar para pensar, discutir. Se não fizermos essa reflexão, não mudaremos nada. Por isso espaços como esse são tão importantes”, destacou Serys.
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